Poema da Conclusão Tardia

Não sabia se por solidão ou tédio; Escolheu a mim como seu novo remédio; Ou brinquedo; Analista grátis pra curar seu medo; Tentou então mudar o modo de agir; Pra convencer a quem não conseguiu comprar; Pensou que enganava a ordem natural; Das horas de vazio e de fracasso social; Passou a desejar bom dia a quem passava; Diminuiu até a força das mentiras; Sentiu que do contrário a solidão rondava; Sacou que sua vida jamais existira; Cuspiu no próprio prato antes de comer; Foi obrigada a engolir e agüentar; Beber sem vomitar; O sumo dos sonhos desfeitos; O efeito bravio dos tempos; O eco da sala; O frio do quarto; A infelicidade irrefutável do espelho.
Escrito por saci às 09h21
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