Meu Perfil
BRASIL, Homem, de 26 a 35 anos



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 BLOG DO SACY BEBUM
 Blog de Paulo Baguetti


 
 
Bar do Saci


 

Sigo imerso no meu poço de tristeza;

Repleto de aspereza e de falta de razão;

Estou ficando já completamente;

Louco, farto de ter de carregar-me;

A todos os lugares onde vou;

Não quero a minha cara pela frente;

Nem pintada de vermelho, ou de luz;

Não quero este total desequilíbrio;

Quero parar de me matar diariamente;

Eu todos os dias me mato;

Sinto-me farto de carregar-me;

Sinto na carne;

Sigo imerso no meu poço de tristeza;

Flertando de vez em quando;

Sempre do lado de fora;

Com qualquer espécie de quase amor;

Tão esporádico quanto raso;

Tanta dor chega a ser falta de respeito;

Chega a ser engraçado;

Pastelão trágico sem espectadores e sem fim;

Repleto de aspereza e de falta de razão;

Vejo que não há finalidade em mim.



Escrito por saci às 13h53
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Feliz Ano Novo

 

Batatas fritas assassinas entram pela boca com suas bombas de óleo. Gordura saturada por três dias. Elas vêm em companhia de dois belíssimos e pútridos hot dogs de salsichas fabricadas com restos de carne da pior qualidade, conservantes e corantes poderosos. Esses que deixam qualquer câncer com cara de criança saudável.

Um copo exageradamente  gigantesco de refrigerante tipo cola, com quatro pedras de gelo de água imunda e uma rodela verdíssima de limão. O limão é para que se sinta ingerindo algum micro vestígio de coisa natural em estado bruto.

Com o perdão do trocadilho infeliz, tamanha brutalidade comestível certamente há de combinar com o sabor destes dias apressados e sem espaço para o cultivo de amenidades. É um tempo sem mostarda, sem catchup e repleto da mais nojenta maionese de ovo com salsinha.

Correndo o risco de parecer frescura, quero expor minha saudade-utopia de uma época com mais salmão, rúcula, gorgonzola com copa, feijoada do Fabrício, sopa de capeletti, comida da mamãe e, no meu caso, tenho sorte de sentir falta até dos rangos inventados pelo meu pai. Uma sorte ou um lamento a mais? Prefiro guardar como memória divertida para quando estamos longe uns dos outros.

 Ah, antes de mais nada, eu não vou negar que tenho sim, e com certa freqüência, acesso a isso tudo que eu citei aí em se tratando estritamente de culinária. Entretanto, eu falo aqui de jeitos de viver. Misturar mais sabores diferenciados, condutas mais nobres no dia-a-dia das pessoas. Apesar de a alusão ser tão fraca e superficial quanto os nutrientes do rango-bomba que inicia o texto.

Sei que a falta de educação é questão de falta de educação mesmo. Também sei que em tempos de fome, miséria, desemprego, violência, crise mundial, guerras ("tempos" que a gente insiste em tentar encerrar num presente passageiro, à espera de um milagre que resolva essas características humanas naturais e mal-resolvidas no psiquismo da humanidade desde sempre - ad eterno), falar em amenidades é meio inadequado. Sempre será, pois.

Então aproveito o clima de ano novo e tal, que boa parte das pessoas faz planos de modificação de conduta, para desejar mais tempero apimentado para quem precisa levantar do chão e reagir. Bem como, pratos leves e de fácil digestão a quem necessita arrefecer a azia da vida.

O que interessa é não parar de mexer a mistura da panela. Feliz ano novo.  



Escrito por saci às 11h54
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Dica de Som (dando uma folga aos poemas)

A Orquestra Imperial é uma daquelas coisas sonoras bem-vindas que a música brasileira pipoca nos ouvidos da gente de tempos em tempos. Coisa esta, a que me refiro ao citar música, já contando com o perdão do leitor. A música deles tem um jeito. E repare bem no jeito delas. Das meninas da Orquestra. É, sem dúvida, uma banda especial.

Tem sorriso no som da Orquestra Imperial. É mais uma trupe, um grupo diversificado de gente boa de som e boa de espírito, do que um simples grupo musical. Tem uma antiguidade ótima no som da Orquestra Imperial.  A galera brinca com música e faz a música brincar com a gente. De forma quase leviana, faz roqueiro bater o pé no chão acompanhando um bolero.

Música boa, leve, sem compromisso com nada que não a própria música.



Escrito por saci às 17h13
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 

Do lado de dentro desta imensa janela;

Fechada do frio e translúcida;

Mora a mulher dos meus olhos ;

A que velo e agora dorme;

A mulher que não se pode ver;

Coberta de nuvem e lençol;

Pairando no meio dos céus;

Atrás dos vitrais das manhãs;

Ardendo no fogo de si;

A mulher que me faz duvidar da bondade de Deus;

Esta que sempre está;

Doravante e desde sempre;

De onde vêm este poder e esta fraqueza?

Para onde vai tanto sofrimento?

A que engrenagem maldita se presta?



Escrito por saci às 13h59
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Poema da Extremna Pretensão

 

Sou de onde nada existe e de onde tudo vem;

Minha referência é a essência de ninguém;

Sou de onde o natimorto julgamento se desfaz;

Pleno leve movimento, minha dor é meu cartaz;

Fecho os olhos contra o vento e sinto a direção;

Do perfume da morena colorindo a imensidão;

Abro os braços contra o vento e abraço o que vier;

Sou repleto, sou vazio; Eu sou a porra que eu quiser;

E é assim, do meu jeito, contra o vento, ao meu modo;

Que eu crio a substância que confirma o que eu discordo.

Escrito por saci às 11h50
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Abandonar antigos hábitos;

Enterrar vícios e conselhos de mãe;

Fugir das salas fechadas e da secura dos jardins;

Pisar com mais afinco de profundidade nas areias;

Vasculhar crenças e redesenhá-las sob nova perspectiva;

Contrair o amor do teu sangue como vírus;

Gotejar, em vez de derramar perdões;

Imergir mais fundo e de olhos abertos;

E imaginar estar ciente disso tudo.



Escrito por saci às 00h07
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Vai andando;

Como se não fosse mais voltar;

Como quem se entrega ao simples fim;

Assim bem como quem faz desonhar;

Sem parar;

Vai até sumir, sem perceber;

Vai sem mim, até desavisada anoitecer;

Vai crescer;

Propagar este abandono pelo ar;

Gravar teu desamor no dorso  perplexo do mundo;

Sem cogitar, sem repensar, vai sem falar.



Escrito por saci às 13h37
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Resoluto

Resolvi de uma vez gostar de ti;

Numa dessas atitudes sem razão;

Irresponsavelmente, como se usa droga;

Resolvi e pronto;

E te escolhi pra atrapalhar meu dia;

Pra encher meu pensamento de bobagem;

Confundir meu raciocínio;

No meio de uma resenha sobre a crise econômica mundial;

Lá está você;

Linda, cheirosa e disponível para as minhas fantasias;

Inventei, assim, sem mais nem menos;

Que a partir de hoje vou querer você;

Por algum tempo, que tudo há de enjoar também;

Sem grandes dramas;

E não vou deixar que você perceba nada;

Minha menina distante;

Você me faz perceber os encaixes do mundo;

Agora, me deixa trabalhar um pouco.

 



Escrito por saci às 11h25
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Poema Acabado

Seguiremos nos inacabando;

Até que um dia nos terminaremos;

Elegeremos as vontades ao acaso;

E casaremo-nos já tarde, extenuados;

E bem felizes, fartos e exauridos;

Nós maldiremos amores perdidos;

E morreremos calmos, abraçados.

 

 



Escrito por saci às 11h04
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Poema Pós-Bêdado da Amizade

 

Meus amigos são todos loucos;

Uma loucura legal;

A galera é muito foda;

E levanta meu astral;

Gosto de beber com eles;

Conversando um monte de bobagem;

Falando de futebol, dinheiro e sacanagem;

Tem amigo de boteco;

Tem amigo de conselho;

Tem os bródi, os camarada;

E tem amigo pentelho;

As vezes a gente briga;

Mas logo fica de boa;

Conta piada sem graça;

E fica rindo a toa;

E quando a gente se junta;

Fecha uma, duas grades;

Fuma três, quatro carteiras;

Semeando a amizade.

Foto: Falta muita gente importante na foto. Mas resolvi postar porque é uma bela foto ANTÔNIMA!!! SÓ GENTE BONITA!!!!



Escrito por saci às 09h51
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Poema Amargo

 

No quarto escuro, no chão;

O rosto treme no vértice das paredes;

As unhas friccionam os retalhos;

As fendas brilhantes, tão doces;

A dor reinventada;

Descascando frágeis cicatrizes;

Ranger sonoro de dentes;

Suor tinto, agridoce, suspiro pesado;

Memória violenta, memória que não morre;

Todo este amor escorre em plasma;

Todo este amor me desafia;

Todo este amor sufoca preso;

Todo este amor anestesia;

Acorrentado, desfocado, olhos de fome;

Lábios sangrando rios negros de amargura.



Escrito por saci às 11h29
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Uma Não-Música

Aqui comigo há nenhuma música;

Que não se traduz em ausência silenciosa;

Por haver falta de si onde ouço;

Por ser quase uma concreta saudade em arrepio;

Se distorcendo e caminhando interrompida;

Esta melodia que quase posso tocar, sentir da pele;

E que sequer arrisco sibilar ;

Aqui comigo, esta lacuna de gritos rasgados;

Esta contínua densidade triste de piano;

Esta falta de fim.    

===============================

Ouça: "Nude" - do Radiohead 



Escrito por saci às 12h47
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Se me pões um beijo lá, no horizonte;

Onde nascem as correntes de ventar;

Onde as curvas são refeitas, vou buscar;

Teu presente ou do céu ou do infinito;

Já no tempo não me escoro, vou aflito;

Escorrendo e desejando lá deitar;

 

Se me pões um beijo lá, no horizonte;

Vou  veloz, montado em chamas de poesia.

Mergulhar no céu de fogo ao fim do dia;

Num relâmpago de insano destemor;

Num impulso incontrolável, num ardor;

Vou te amar em pele, em brasa, em agonia.



Escrito por saci às 12h28
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Um Plano

Vou te esperar dormir linda e cheirosa;

Contar histórias e cantar no teu ouvido;

Acariciar o teu cabelo com doçura;

Mostrar os dentes brancos à tua inconsciência;

Dilatar as pupilas e examinar tua fragilidade;

Dilacerar num golpe súbito teu dorso;

E arrancar de ti a vida, a carne e o sonho;

Vou mastigar tua sanidade com areia;

E te fazer perfeita e morta, meu sorriso.



Escrito por saci às 10h20
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 

Do Nosso Amor Breve

 

Eu não vou sair de ti;

Nem por agora, nem amanhã;

E não tente, amor, me apartar;

Lembre-se, estou ainda e sempre em ti;

 

Quero ver e ser do teu sorriso;

A mais pura forma de alegria;

Quero ter o teu dia;

E o teu desejo de querer;

Não crer que nosso amor é breve em si;

E sim que é forte e infinito quando em nós.

-------------------------------------------------------

poema muito antigo ... de quando eu acreditava no "amor entre as pessoas"



Escrito por saci às 13h53
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]